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Histórias

27/11/2018 15:28

Minha bola da felicidade

O que passa pela sua cabeça quando você ouve falar que alguém te ensinará fazer a bola da felicidade? E mais, bordando. Eu pensei: Isso não é pra mim. Eu só bordei poucas vezes, quando adolescente, incentivada pela minha avó materna que tinha muitos dotes nesta área. Bordava diferentes pontos. Eu consegui aprender dois deles: ponto cruz e vagonite. Mesmo assim lá fui eu, acompanhar minha parceira Creuza Medeiros, na oficina das Bordadeiras de Chapada.

A princípio pensei: vou apenas observar. Porém, logo que cheguei na associação, onde um grupo de mulheres sentado em círculo dividia espaço com centenas de peças de bordados, uma mais linda que outra, ouviam atentamente a palestrante. Logo uma delas fez sinal para que eu me juntasse ao grupo. Eu sinalizei que logo iria, na tentativa de ganhar tempo e ser esquecida no cantinho que logo encontrei para não ser notada. Porém, a mesma pessoa insistiu para que eu sentasse no círculo e me juntasse às outras mulheres. Pensei: Mas eu não sei bordar. Se eu sentar no círculo vou ter que participar. Mas se eu não for, vou ser indelicada.

Tenho certeza que já passaram por situação parecida. Então peguei uma cadeira e lá ocupei um lugar no harmonioso grupo formado por mulheres com idades entre 40 e 80 anos. Imediatamente recebi uma meia branca e uma agulha. Então pensei: Agora não tenho para onde fugir. Vou ter que bordar. Não levo jeito para isso.

Os trabalhos eram conduzidos por uma mulher cheia de vida. Ela falava de um jeito contagiante. O nome dela? Tereza Barreto. Ex-freira, ex-servidora pública, artista plástica, bordadeira e escritora que criou a oficina a bola da felicidade. Inicialmente me senti um peixe fora d’água. Mas aos poucos as palavras de Tereza passaram a fazer sentido para mim.

Depois de mim, outras mulheres também chegaram ao espaço, que ficou pequeno para o imenso grupo que se formou. Então fomos convidadas a nos apresentar de um jeito desafiador. Nos olhando para um espelho, falando palavras de otimismo e incentivo para nós mesmas, e ainda, respondendo a uma pergunta: Quais as três coisas que te fazem levantar todos os dias? Quais as três razões que te trazem felicidades?

Confesso que fiquei um bom tempo pensando nisso. O que me faz levantar todos os dias? Acho que nunca pensei nisso. Demorou um certo tempo até que chegou a minha vez e então eu tinha a resposta: O que me faz levantar todos os dias, neste momento da minha vida, é a busca pela minha evolução, em ser uma pessoa melhor; o meu projeto profissional; e as pessoas que eu amo.

Talvez eu não conseguisse bordar nada naquele dia, mas ter conseguido responder aquela pergunta já fez o dia valer a pena. Eu tinha motivos para levantar todos os dias. E que motivos!

Depois da apresentação demos início a construção da nossa bola da felicidade. A cada etapa da construção da bola, Tereza nos levava a um momento da vida, desde a concepção até os dias atuais. E foi assim, dançando, cantando, rindo e chorando, que eu consegui fazer minha bola. Confesso que não ficou tão bonita quanto eu esperava. Também não busquei perfeição. Já fiz muito isso e não é o que busco mais. Apenas dei o meu melhor e aceitei os resultados.

Foi uma experiência maravilhosa poder reviver de um jeito tão diferente alguns momentos de minha vida. Só para compartilhar, logo no começo, minha bola abriu e eu tive que gastar um tempão para consertá-la, para deixá-la firme e segura. Somente assim consegui continuar as etapas seguintes. E isso me mostrou que se não tivermos nosso passado bem resolvido, nosso presente e futuro terão situações difíceis. Exatamente o momento que estou vivendo. Fiquei surpresa com o ocorrido e grata pela vivência.

Que projeto lindo Tereza vem desenvolvendo por este Brasil afora. Gratidão por compartilhar este momento. Que o Poder Superior continue te iluminando sempre!

No intervalo descobri o nome da mulher que insistiu para que eu me juntasse ao grupo: Louriza Soares Boabaid Yule, uma das fadas bordadeiras de Chapada, por quem me encantei durante a oficina. Quanta docilidade e ternura nas palavras e ações. Grata ao Poder Superior por ter a conhecido!

A todas as bordadeiras gratidão pela vivência, ensinamentos e paciência.

Gratidão também a Creuza Medeiros por me oportunizar momentos como este!

 

Por Tania Rauber


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