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Histórias

07/05/2018 00:25

Yoga e a criança em mim

Eu já tinha feito algumas matérias sobre yoga. Sempre que via as pessoas praticando pensava: Uau, que máximo! Ao mesmo tempo me perguntava: Como as elas conseguem fazer aquelas posturas? Nossa. Elas parecem dobrar o corpo ao meio. É muita elasticidade. Apesar do encantamento, não previa experimentar algo assim tão cedo. Quiçá fazer alguma postura dessas de dobrar o corpo ao meio e colocar as pernas para trás da cabeça. Pois acredite. Eu fiz isso no segundo dia de vivência do yoga. Filmei tudo, é claro. Pois não acreditava que conseguiria. 

Eu tive esta experiência após conhecer a Sheila Larroyed, professora de yoga incrível, que me cativou já pelo modo de falar. Ela e outra profissional, Elma Rios, realizaram uma vivência em ashram com yoga e ayurveda em Cuiabá.

Ashram é um termo usado na India para abrigos ou locais de descanso e proteção para se ter uma vida yoguica, com um estilo de vida saudável, ético e cooperativo. São espaços para cuidar do corpo e da alma. Pois bem, gostei logo de cara. Pensei: é a oportunidade para conhecer o yoga. Também me interessei muito em conhecer o ayurveda, do qual vou falar em outra matéria.

Então eu e minha parceira Creuza Medeiros confirmamos presença no evento. Eu fiquei bem ansiosa, pois já faz algum tempo que tenho me dedicado aos cuidados com minha saúde física, emocional e espiritual.

Fomos recebidas no local do evento, uma chácara bem localizada, dentro da cidade praticamente, na sexta-feira, final da tarde. Em um mural na parede estava a programação para o dia seguinte: 6h30 levantar, 7h higiene pessoal, 8h yoga. Assim foi. Não teve café. Apenas um mingau de aveia com especiarias, tão bem preparado que não parecia ser mingau. Uma delícia. Assim é na India, onde a prática do yoga ocorre antes das refeições.

Nos acomodamos nos tapetes e fizemos a saudação inicial do yoga, um mantra de gratidão a Patanjali, quem escreveu os ensinamentos teóricos e práticos do yoga tradicional há milhares de anos. 

A aula começou com lições sobre respiração, no yoga tratados como pranayama. Sheila explica que o pranayama é a base para o yoga. Aprendi a inspirar e expirar com o nariz, e a, cada entrada e saída de ar, sentir os músculos do meu corpo. No dia-a-dia tudo acontece tão remoto que não faço isso. Aos poucos fomos mexendo cada parte do corpo. Pernas, pés, mãos, coluna, pescoço, cabeça. Tudo calmamente. Parece que passei a sentir mais tudo.

De uma forma simples, Sheila falou um pouco sobre o yoga e suas posturas: elas nada mais são do que os movimentos que fazíamos quando éramos crianças e que fomos perdendo com o passar dos anos. Pois foi assim eu percebi. Como era mais fácil virar cambalhota, levantar as pernas para o alto, equilibrar-se sobre uma perna só. Tudo era feito com maestria. Vamos crescendo, assumindo responsabilidades, firmando crenças, e nos privando de muitos movimentos.

E o mais importante: as posturas ou movimentos são apenas parte do yoga. O yoga é muito mais que isso. Ele nos faz encontrar o nosso eu, a nossa essência, sem crenças ou estigmas.

Terminei as primeiras horas de aula me sentindo completa. Eu consegui acompanhar todos os exercícios. Alguns com mais dificuldades do que outros. Mas terminei sem cansaço, sem dor.

No segundo dia, no mesmo horário, começamos novamente com a respiração. Repetimos algumas posturas e fizemos outras. Senti meu corpo fazer os movimentos sem grandes dificuldades. Apenas algumas dores nos músculos em alguns momentos em que precisava segurar o peso do corpo. Normal, eles não tem preparo para isso ainda. Também percebi que não conseguia esticar as pernas em todas as posições. Mesmo assim conseguia acompanhar com as minhas limitações. 

Todos os movimentos seguiam a respiração. Como uma melodia. Você inspira, expira e mexe. Tudo calma e levemente. 

Foi então que Sheila disse que iria fazer uma posição invertida. Logo pensei: estou fora, eu não consigo. Quando ela demonstrou o que devíamos fazer, uma Halasana, tive certeza que não daria pra mim. Quando expressei ao grupo que não conseguiria, ela calmamente disse: É claro que consegue, é só fazer como você fazia quando criança.

Então me lembrei que eu virava cambalhota e não tinha medo de mexer para lá e para cá. Então decidi tentar. Deitei sob dois cobertores, para me acomodar melhor. Coloquei minhas mãos ao lado do corpo e, quando empurrei meus pés em direção a minha cabeça, parecia que ia virar. Isso não ia dar certo. Então levemente Sheila empurrou e acomodou meus pés em uma cadeira que estava posicionada atrás de minha cabeça. Foi muito estranho. Eu estava dobrada? Como assim? Não estava doendo nada e eu estava me sentindo bem. Minha cabeça começou esquentar. Era o sangue descendo e oxigenando meu cérebro. Que maravilha! 

Ela pediu para eu erguer as pernas. Fiz com facilidade. Primeiro uma, depois a outra. Empurrei o quadril para frente e alinhei. Depois vi as fotos e amei. Aí ela disse: Vamos colocar os pés no chão, atrás da cabeça? Eu rapidamente disse: Não! Imagina. Pensei que ia quebrar minha coluna. Mas aí repensei e decidi tentar. Fui levando os pés para trás e de repente eles tocaram o chão.

O medo veio e pensei que minha coluna ia fraturar. Mas não sentia dor, nada. Era só o medo. Meu corpo estava curvado em uma posição tão confortável, mas ao mesmo tempo tão dificultosa. E rapidamente passou pela minha cabeça que na vida é assim. Quantas vezes o medo me impediu de fazer algo?

Fui voltando devagar e a sensação foi de alivio e plenitude. Fiz algo que para mim era inalcançável. E melhor, prazeroso e gratificante.

Encerramos a aula com a saudação a Patanjali e meu sentimento era só de gratidão pela vivência.

Além das aulas, também tivemos outras experiências de ashram, como o karma yoga, momento dedicado a uma atividade laborial sem recompensa, ou seja, trabalho executado sem esperar nada em troca. 

Conhecer um pouco do yoga me mostrou que existe um caminho para viver uma vida mais plena e serena. 

Namastê Sheila pela paciência e carinho. Namastê aos colegas de grupo pelo apoio. Namastê a Deus por ter me oportunizado essa vivência.

 


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